Bajado
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Bajado

Dezembro, 1912  - Novembro, 1996
Euclides Francisco Amâncio (Maraial, PE, 1912 - Olinda, PE, 1996). Pintor, desenhista e cartazista.

Aos 13 anos, muda-se para Catende, Pernambuco, onde trabalha no cinema da cidade e cria histórias em quadrinho após assistir filmes sobre o velho oeste. Em 1930, mora um ano em Recife, produzindo cartazes e fachadas para diversas lojas. Dois anos mais tarde, emprega-se em uma gráfica como linotipista.

Muda-se para Olinda em 1933, trabalhando como cartazista até 1950 no Cine Olinda. Participa dos carnavais da cidade, fundando diversos blocos e criando bonecos e estandartes. Nos anos 1950, desenha com os cartunistas Péricles (1924-1961) e Félix de Albuquerque (1911-?) a personagem Amigo da Onça, cujas histórias são publicadas na revista O Cruzeiro.

Em 1964, inaugura com outros artistas de Olinda o Movimento da Arte da Ribeira. Com recursos escassos para viver e sustentar a família, ganha do marchand e leiloeiro italiano Giuseppe Baccaro (1930) uma casa, em que passa a viver a partir de 1972.

Em 1975, os diretores Fernando Spencer (1927-2014) e Celso Marconi (1930) realizam o documentário Bajado – Um Artista de Olinda. Em 1980, é realizada a exposição 50 Anos de Bajado, sediada no Recife e, depois, em Olinda, onde, no mesmo ano, é inaugurada na Casa Bajado. Em 1985, Juliana Cuentro e José Ataíde lançam o livro Bajado Artista de Olinda. No mesmo ano é inaugurado o Cine Bajado na mesma cidade. Em 1994, é homenageado pela Unesco em exposição na França e expõe seus quadros em Portugal.

Pintor e cartazista de estabelecimentos comerciais, Bajado pinta as festas de rua e a população frequentemente sobre borrachas, paralamas de carros e pedaços de PVC. Suas personagens ganham traços fortes, semelhantes aos das histórias em quadrinhos, que conferem às cenas tom irônico e gozador, o que faz de Bajado testemunha crítica da realidade, como observa o artista plástico João Câmara (1944).

Em boa parte de seus quadros, a perspectiva do pintor é a janela, de forma que o observador toma o lugar de quem assiste ao movimento da rua. Andando ou dançando, suas personagens têm pouca diversidade de cores, que costumam ser vibrantes como os cartazes de cinema e as propagandas políticas da época. A variedade de materiais, os elementos de cartazes publicitários e a rua movimentada como palco da maioria das cenas faz de sua obra união de diversas linguagens da arte do século XX.

Fonte da Biografia e comentário crítico: Enciclopédia Itaú Cultural

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