Carlos Pragana
Carlos Pragana
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Carlos Pragana

Abril, 1952
Nasceu no Recife, onde vive e trabalha. Autodidata, iniciou formalmente nas artes plásticas em 1999. "Pragana possui um nome de pintor. Alguém que tem gana de pintar e não foi por acaso que escolheu a frase de Fernando Pessoa: “Tudo é ousado para quem nada se atreve”. Impressiona, sobretudo, o tamanho de seus quadros. Poder-se-ia mesmo pensar que estamos diante de um muralista cuja ambição conceitual não lhe permite se exprimir em formatos pequenos. Ele preside um tribunal, onde está sendo julgado a anatomia dos corpos e também a dos espaços. “Um sutil disfarce” é o nome de um dos seus quadros cujas medidas 1,00 x 2,00m já disse a que veio.

Como é estranho esse mundo das palavras. Como é que se pode afirmar que a pintura já acabou quando tudo é repercurso. Como um pêndulo o tempo oscila em duas direções. Acontece que as duas coisas podem ser confundidas, a fria escuridão das cavernas com a claridade excessiva de um mundo que aquece inexoravelmente. A pintura de Pragana viaja nessas duas direções como um fio oculto que dirige todas as coisas.

Ele é o pintor rudimentar que traça com aspereza as grandes linhas que formatariam a caça que toda a comunidade exigia e, ao mesmo tempo, o artista totêmico que lança suas figuras de arcanjos no mundo das nuvens como se esse espaço superior também ostentasse seus sólidos pavimentos. Pintura mural? Vamos lembrar o grande Fernand Léger a vociferar: “É preciso destruir os muros”, o que eu atenuaria para dizer que é preciso enfeitiçá-los. Os arquitetos modernos acham que o muro de concreto é tão somente um muro de concreto, mas eu continuaria a dizer que é preciso enfeitiçá-lo. Um dos aspectos curiosos da pintura de Pragana é que, apesar da sua extrema ousadia, ele continua um pintor figurativo, embora a maior parte de suas figuras totêmicas, humanizadas ou animalizadas, estejam aprisionadas por um grafismo carbonário, isto é, revolucionário, porquanto, inusitado.

Ele é novo como um astronauta e tão antigo quanto um feiticeiro das cavernas a pintar na escuridão. Essas palavras não têm outra destinação senão demonstrar o meu apreço e admiração por esse artista pernambucano que pode perfeitamente se inscrever desde há algum tempo na galeria dos grandes pintores brasileiros.

O seu admirável instinto de artista é demonstrado na sua coragem de intitular seus grandes murais. Recordo que foi matéria de uma conversa a necessidade em dar “nome aos bois”, o que significa nomear cada trabalho que um pintor realiza. Pragana é inclusive poeta. Um dos seus quadros chama-se: “Respiração das nuvens”.

Francisco Brennand, Artista Plástico
29 de abril de 2015

Exposição Individual
2013| Aglutinar, Arte Plural Galeria, Recife
2012| Desconstrução, Centro Cultural dos Correios, Recife
2010| Primeira Mostra Artefato, Artista Homenageado, Recife
2009| O Homem e Sua Sombra, Museu do Estado de Pernambuco, Recife
2003| Galeria de Arte Segundo Jardim, Recife
2001| Pragana, Museu do Estado de Pernambuco, Recife
1999| Iphan, Museu da Abolição, Recife

Exposição Coletiva
2013| Os 5, Galeria Ranulpho, Recife
2013| Coletiva de Junho, Espaço Brennand, Recife
2011| Ano 11, Galeria Mariana Moura, Recife
2010| Coletiva de Junho, Espaço Brennand, Recife
2009| Coletiva Inaugural, Galeria Uffici, Recife
2005| Recife 468 Anos, Galeria Ranulpho, Recife
2003| Artes Plásticas Itinerantes, Recife

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Obras